Durante anos, quem procurava um todo-o-terreno a sério em Portugal tinha de olhar quase obrigatoriamente para a Toyota, Ford ou Jeep. A Hyundai, apesar da fiabilidade, jogava noutro campeonato, o dos SUVs e monoblocos. Isso mudou. Com a revelação do Boulder Off-Road Concept, a marca coreana entra finalmente no mundo dos “puros duros” com uma estrutura de chassis (body-on-frame).

Construído para Durar, Não para Enfeitar

O Boulder não é um crossover “armado” em jipe. A base é uma plataforma de chassis body-on-frame integralmente fechada, pensada para aguentar a torção que o fora de estrada exige. Com um design em “caixa”, sem as curvas aerodinâmicas da moda, e uma pintura em Liquid Titanium, o Boulder parece ter sido esculpido num bloco de metal.

Para quem gosta de preparar o carro para o mato, os detalhes de origem são impressionantes:

  • Pneus de 37 polegadas: Mud-terrain de fábrica, preparados para lama e rocha.
  • Portas “Coach”: Abertura oposta que facilita o acesso ao habitáculo em situações apertadas.
  • Portão Traseiro de Dupla Dobradiça: Abre para qualquer um dos lados, uma solução prática para quem tem de descarregar material em trilhos estreitos.
  • Tejadilho Safari: Janelas superiores fixas e um porta-bagagens em rede de aço que parece pronto para carregar tudo o que é necessário para uma expedição.

O Regresso dos Botões a Sério

Uma das maiores surpresas está no interior. A Hyundai percebeu o que os condutores de TT sentem: ninguém quer andar a navegar em menus digitais ou botões de toque (hápticos) quando está a atravessar um rio ou a subir uma duna.

No Boulder, os botões são físicos e robustos. Há manípulos e comandos que se sentem na mão, desenhados para serem usados com luvas ou dedos sujos. O cockpit inclui ainda um “co-piloto digital” via GPS que lê o terreno técnico em tempo real, ajudando a escolher a melhor linha quando a visibilidade sobre o capot é reduzida.

Conclusão

Este protótipo mostra que a Hyundai está cansada de ser apenas a “escolha racional” para a cidade. Com o Boulder, a marca ataca o segmento onde a resistência mecânica é a única coisa que conta. É um veículo que privilegia a função sobre a estética, com uma mecânica que promete escala e durabilidade.

Se este Boulder chegar à linha de produção com estas especificações, os grandes nomes do 4×4 vão ter motivos para se preocupar. A Hyundai deixou de querer apenas vender carros; agora quer conquistar terreno.